quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

MOBILIDADE URBANA E ACESSIBILIDADE

Ultimamente, conceitos como Mobilidade Urbana e Acessibilidade estão cada vez mais presentes nos noticiários e meios de comunicação, especialmente quando relacionados à Copa de 2014. Mas afinal, o que significam?

De acordo com Marilena Lavorato, especialista em Gestão Ambiental, podemos entender a Mobilidade Urbana como a capacidade de deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano (cidades) para a realização das atividades cotidianas em tempo considerado ideal, de modo confortável e seguro. Ou seja, ter mobilidade é conseguir se locomover com facilidade de casa para o trabalho, do trabalho para o lazer ou para qualquer outro lugar onde se tenha vontade de estar, independentemente do tipo de veículo utilizado. A engenheira Cristina Baddini, Mestre em Transporte e Trânsito, exemplifica ainda que ter mobilidade é pegar o ônibus com a garantia de que se chegará ao local e no horário desejado (salvo em casos de acidentes); é ter alternativas para deixar o carro na garagem e ir a pé, de bicicleta ou com o transporte coletivo; é dispor de ciclovias e também de calçadas que garantam a acessibilidade  aos deficientes físicos e visuais; e, até mesmo, utilizar o automóvel particular quando lhe convir e não ficar preso nos engarrafamentos.
A mobilidade está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico e social; na medida em que as cidades crescem, aumenta a necessidade de mobilidade e de transporte. Para os moradores dos grandes centros e metrópoles, a situação é cada vez mais problemática, principalmente em locais onde o adensamento urbano se deu de forma desordenada e rápida, impedindo o planejamento e a estrutura adequada. Torna-se necessário definir ações que possam manter ou melhorar a qualidade de vida de seus habitantes, ações estas que contemplem tanto as questões ambientais quanto as condições econômicas e sociais, resultando num desenvolvimento ambientalmente equilibrado, economicamente viável e socialmente justo.
Para se ter uma dimensão da importância da mobilidade urbana no desenvolvimento de uma cidade, dos 20 bilhões que o governo federal destinou às obras do PAC da Copa, 8 bilhões vão para as obras de mobilidade urbana. O setor de transporte público do país, vê na Copa e nas Olímpíadas de 2016 uma possibilidade de mudança, o que acabará obrigando nossos governantes a tomar uma atitude mais ousada para tentar melhorar o caos urbano em que vivemos hoje. O governo federal, através do Ministério das Cidades, também elaborou o Programa de Mobilidade Urbana, que promove a articulação das políticas de transporte, trânsito e acessibilidade, a fim de proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço, de forma segura, socialmente inclusiva e sustentável. As prioridades são os sistemas de transportes coletivos, dos meios não motorizados (pedestres e ciclistas), da integração entre diversas modalidades de transportes (ônibus, trem, barco, etc.), bem como a implantação do conceito de acessibilidade universal para garantir a mobilidade de idosos, pessoas com deficiências ou restrição de mobilidade.  
É importante ressaltar que nos objetivos deste programa, a acessibilidade ganha um papel de destaque. O seu conceito é amplo e também pode ser utilizado em outros ramos de conhecimento. No caso da arquitetura, a acessibilidade pode ser entendida como a possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos. Um espaço é considerado acessível quando permite que toda a população, incluindo as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, possam usufruir do espaço e participar de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação de forma independente e igualitária. A acessibilidade deve estar presente nos meios de transporte, nas edificações, vias e calçadas, enfim em todo o espaço.
Devemos lembrar que a acessibilidade não deve ser vista apenas como uma preocupação do poder público ou de grandes empresários da iniciativa privada; é uma questão de respeito ao próximo.
No próximo artigo discutiremos as questões relacionadas à adaptação das edificações e espaços públicos para torná-los acessíveis.
Até lá!

Artigo publicado na Revista Seridó SA - Ed. 02 (JAN. 2012)



Um comentário:

  1. arquiteta nova e promissora com conceitos re3volucionarios

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